Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Fragmentos...

Cada dia que passa se torna mais pesaroso...cada noite traz a realidade...essa tão cruel e tantas vezes revelada e ao mesmo tempo escondida...Em mil instantes sinto como se fosse uma morte anunciada..onde tudo morre lenta e suavemente...um desfile do que foi...de tudo...de risos, de choros, de alegrias, de tristezas, de momentos infinitos em que fui, em que não fui, em que deixei de ser... em que dormi e voltei a acordar...em que voltei a ser...
Os meus passos que tanto disto percorreram...os meus olhos que tanto viram e sentiram...e a cada dia que passa entro em contagem decrescente...como se fossem arrancando pedaços de mim...
Não é a possível mudança...nunca foi...é um sentir pertencer aqui...um sentir que aqui tudo faz sentido...é um sentir que pelo menos aqui eu vivi...ainda que ofuscada pela penumbra de nunca saber ter vivido...
Tudo se desmorona à minha volta...e eu tento tirar todas as fotografias possíveis de captar com a minha visão...porque não sei quando voltarei a ver tudo o que faz parte de mim...todas as ruas...todos os lugares...todos os seres vivos...
E no meio dos destroços encontro-te...e sempre estives-te lá...e eu nunca te vi...e nunca te senti...e nunca te desejei...ou talvez o tenha sentido e o tenha afastado...mas tu sabes tão bem quanto eu a resposta a isso...porque estavas lá...e agora quando a tempestade se levanta e se ergue majestosamente sobre mim tu fazes-me ver e sentir tudo num só dia...
E o que faço com isto... onde guardo isto tudo...todas estas palavras por dizer...onde queres que as esconda...porque não é só sobre mim que esta tempestade se abate...E a cada noite que passa se torna mais pesado este sentir...e esta morte eminente de um mundo...do meu mundo...e torna-se ainda mais cruel vendo o teu olhar e sentindo-o em mim...

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