No silêncio encontramos perguntas, respostas, pedaços do que fomos, do que vivemos, do que sentimos... Vidas das quais não nos conseguimos libertar, vidas que havíamos esquecido de ter vivido...
No silêncio sentimos o que queremos sentir, sentimos o que não queremos sentir, desejos, ânsias de uma vida que não chega, de um mundo que nunca vimos, de um ar que nunca respiramos...
No silêncio doem-nos os sentidos, cegam-nos as imagens, formam-se ideias, talvez um dia alguém perceba ao certo o quê, o que eram, o que poderiam vir a ser...
No silêncio que todos os dias passa por nós, algo nos move, nos leva a arruma-lo, nos faz caminhar, ainda que sem destino...
No silêncio percebemos que talvez não exista destino nenhum, que talvez não exista nada, que talvez seja só isto, e no entanto esse silêncio atroz não pode significar só isto, porque temo ânsia de mais, de sentir mais, de ver mais, de fazer mais...
No silêncio ensurdecemos com as palavras, os barulhos, os ruídos da nossa mente, do nosso corpo, que pede mais, mais desafios, mais palavras, mais e mais e mais...
No silêncio encontramos o nós, esse ser tão estranho, tão confuso, tão perdido, porque no meio de tantas regras, tanta moral, tanta ideia, tanta imagem, tanta vida, não existe afinal um mapa de nós, não existe um caminho, mas sim mil...
No silêncio descobrimos que somos, nada mais do que isto, e no entanto talvez o isto seja mais do que alguém alguma vez foi, talvez o isto seja isto mesmo, ser...e tanto nos sufoca, porque temos a necessidade que vejam, que sintam...
No silêncio as vozes não se calam, porque o silêncio é feito de tudo, num reino onde todos julgam não existir nada, o som povoa-o, preenche-o, sem descanso...e quando todos julgam que o silêncio é bom, benéfico, desconhecem que a realidade é outra, bem mais feroz...
O silêncio é o mundo mais barulhento de todos...
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