Por vezes corremos tão longe quanto as pernas e o fôlego nos permitem, galgamos o mais inacessível dos rochedos , não existe limite para o que queremos e podemos fazer, derrubamos os muros construídos à nossa volta e abandonamos tudo aquilo em que vivemos, queremos mais e essa asfixia que nos sufoca lenta e suavemente é atirada para longe, porque chegou a altura de vivermos os nossos sonhos, chegou a altura em que nos permitimos sonhar, é hoje dizemos, que voaremos para além de tudo o que esta barreira tão extensa nos permite ver, é hoje, que pegamos no martelo e derrubamos estas paredes tão atrozes, um dia fomos ajudados a construí-las, mas hoje já nada disto tem significado, a não ser o facto de sentirmos o peso das amarras que nos prendem, e quando as cortamos é como se o oxigénio entrasse nos nossos pulmões e respiramos, estamos livres, queremos sonhar, queremos tanto , queremos tanto esse sorriso, apaziguar essa dor que se carrega, essa tristeza que parece infinita e que se apaga quando nos vê, queremos dar tudo o que sabemos e queremos aprender mais...
Eu dei-te o martelo que te permite derrubar esses muros, eu dei-te o meu espaço para que sentisses a segurança inaudível das minhas palavras, e o bater das asas dos meus sonhos, que são nossos, porque tão fortemente os fizeste voltar...
Não estou lá para te ajudar a tirar tijolo a tijolo, não consigo estar... e nesse silêncio a minha força cresce, porque ainda que não seja hoje que quebres esse muro dantesco, um dia ele por si só vai quebrar...
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